Energia mais barata, conta de luz cara: o que o LCOE de US$ 37/MWh revela sobre o Brasil

LCOE

O essencial

– O custo nivelado (LCOE) da geração solar no Brasil caiu 25% em 2025, para US$ 37/MWh, segundo a IRENA, um dos menores do mundo.
– O país está praticamente empatado com Índia (US$ 35) e China (US$ 36), abaixo da média global (US$ 44) e muito à frente de Alemanha (US$ 65) e Estados Unidos (US$ 62).
– A eólica onshore brasileira, a US$ 31/MWh, tem o segundo menor custo do mundo.
– O paradoxo: gerar energia nunca foi tão barato no Brasil, mas a conta de luz segue subindo, com reajustes de até 19,74% em agosto.
– A distância entre o custo de gerar e o preço de comprar da rede é exatamente a oportunidade que a geração no local de consumo captura.

O que diz o relatório da IRENA

O custo nivelado da geração solar fotovoltaica no Brasil caiu 25% em 2025 e chegou a US$ 37/MWh, consolidando o país entre os mercados mais competitivos do mundo para a fonte. O dado é do relatório Renewable Power Generation Costs in 2025, da IRENA, a Agência Internacional para as Energias Renováveis, e foi destacado pela reportagem do Canal Solar que dá origem a esta análise.

O retrato comparativo coloca o Brasil no grupo de elite do custo solar:

Brasil: US$ 37/MWh, queda de 25% em um ano.
Índia: US$ 35/MWh e China: US$ 36/MWh, as referências mundiais.
Média global: US$ 44/MWh.
Estados Unidos: US$ 62/MWh e Alemanha: US$ 65/MWh, quase o dobro do custo brasileiro.

E a competitividade não é só da solar. A eólica onshore brasileira subiu 3% em 2025, para US$ 31/MWh, e ainda assim tem o segundo menor custo do mundo, atrás apenas da China (US$ 27/MWh). Nas grandes hidrelétricas, o Brasil registrou o menor custo de implantação entre os países analisados, de US$ 1.463/kW. Segundo a IRENA, a combinação de irradiação elevada, cadeia produtiva madura, ganhos de escala e avanço tecnológico explica o resultado.

O relatório traz ainda um dado de escala macroeconômica: a geração renovável evitou US$ 32 bilhões em gastos com combustíveis fósseis no Brasil em 2025 e cerca de 432 milhões de toneladas de CO2 em emissões, segundo os cálculos da própria agência. No ranking global desse benefício, o país só fica atrás de China e Estados Unidos.

Como ler o LCOE, e o que ele não conta

O LCOE, sigla em inglês para custo nivelado de energia, responde a uma pergunta simples: quanto custa, em média, cada MWh gerado por um empreendimento ao longo de toda a sua vida útil, somando investimento inicial, operação e manutenção. É o principal parâmetro para comparar tecnologias de geração entre si e entre países.

Mas há algo que o LCOE não conta, e é aí que mora a análise mais importante para quem paga conta de luz no Brasil. O indicador mede o custo de GERAR. Ele não inclui o custo de TRANSPORTAR e ENTREGAR essa energia: transmissão, distribuição, perdas, encargos setoriais e tributos. No Brasil, esses componentes representam uma parcela expressiva da fatura, como mostramos no artigo sobre TUSD e TE na conta de luz.

O paradoxo brasileiro: gerar é barato, comprar é caro

É aqui que os números contam uma história que vai além do relatório. Na mesma semana em que o Brasil figura entre os três menores custos solares do mundo, a ANEEL aprovou reajustes tarifários de até 19,74% em cinco estados, e os custos com geração térmica no sistema mais que dobraram em julho, para R$ 1,58 bilhão, segundo o ONS.

O paradoxo é estrutural. O custo de gerar energia renovável despenca ano após ano, mas o preço final pago pelo consumidor incorpora tudo o que acontece entre a usina e a tomada: o reforço das redes, os encargos que financiam políticas setoriais, as térmicas acionadas para dar segurança ao sistema em anos de El Niño, as bandeiras tarifárias. A curva do custo de gerar e a curva do preço de comprar estão se afastando, e é o consumidor que vive nesse intervalo.

Para as empresas, essa distância tem um nome: oportunidade. Quanto maior a diferença entre o custo da energia gerada no próprio local e o preço da energia comprada da rede, maior o valor de cada MWh que a empresa consegue produzir e consumir dentro da própria operação.

A dinâmica mundial confirma a tendência

O movimento brasileiro acompanha uma dinâmica global que discutimos na análise sobre o marco de 3 TW de capacidade solar mundial: a solar respondeu por 77% de toda a capacidade renovável adicionada no mundo em 2025, e a curva de aprendizado da tecnologia segue derrubando custos a cada ciclo de expansão.

Duas leituras importam para o planejamento de longo prazo:

1. A vantagem brasileira é estrutural, não conjuntural. Irradiação e escala não mudam com o ciclo econômico. Países que pagam US$ 62 ou US$ 65 por MWh solar olham para o custo brasileiro como um ativo competitivo nacional.
2. A próxima curva de queda é a do armazenamento. O custo dos sistemas de baterias no Brasil caiu mais de 50% entre 2020 e 2025, e a combinação de geração barata com armazenamento cada vez mais acessível redesenha o que uma empresa pode fazer atrás do próprio medidor, como detalhamos no conteúdo sobre armazenamento de energia.

Como capturar essa vantagem na prática

Uma energia entre as mais competitivas do mundo só vira resultado financeiro quando sai do relatório e entra na operação. O caminho passa por quatro frentes:

1. Geração no local de consumo, em telhados ou carports solares, que aproxima o custo da energia consumida do custo de gerar, reduzindo a exposição à parcela de rede e encargos.
2. Dimensionamento pelo perfil de carga, maximizando o autoconsumo simultâneo, que é onde a captura de valor é integral, como explicamos no guia sobre como funciona a energia solar para empresas.
3. Armazenamento com baterias BESS para levar a energia barata do meio-dia até o horário de ponta, quando a diferença entre gerar e comprar é máxima.
4. Gestão de energia contínua, com medição e acompanhamento em tempo real, capacidade que a Helexia integra a todos os seus projetos para transformar dados em decisões.

No modelo as a service da Helexia, essa captura acontece sem investimento inicial da empresa: a engenharia, o ativo e a performance ficam sob responsabilidade de quem opera, e o cliente acessa energia a custo competitivo e previsível. Conheça o portfólio em nossa página de serviços e o modelo de geração distribuída.

Um recurso que o Brasil ainda está aprendendo a usar

O relatório da IRENA confirma o que o setor já sentia: o Brasil produz uma das energias renováveis mais baratas do planeta. A pergunta que fica para cada gestor é menos sobre o país e mais sobre a própria empresa: quanto dessa vantagem estrutural já está dentro da sua operação, e quanto ainda está sendo pago, todo mês, na fatura da distribuidora?

Fontes: Canal Solar, 07/07/2026 (reportagem original), IRENA, Renewable Power Generation Costs in 2025, Canal Solar, 24/08/2026, CNN Brasil, 21/08/2026, ANEEL, ONS.

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