Quando a estratégia de energia de uma empresa aparece no relatório anual, com números auditáveis e evolução ano a ano, é sinal de que o tema saiu da sala de facilities e chegou à agenda da alta gestão. Foi o que mostrou um caso recente divulgado pela pv magazine Brasil: uma grande empresa brasileira de telecomunicações reduziu em 8% o consumo de energia elétrica em 2025, de 53.888 MWh para 49.669 MWh, e detalhou no seu Relatório Integrado a arquitetura energética por trás do resultado.
Mais do que o número em si, o que merece atenção é o método. O caso ilustra um padrão que vem se consolidando entre companhias brasileiras de grande porte: a energia deixou de ser tratada como uma conta a pagar e passou a ser gerida como um portfólio, com múltiplos instrumentos combinados.
Quatro instrumentos, uma estratégia
Segundo o relatório da companhia, a redução do consumo e a mudança do perfil energético se apoiaram em quatro frentes complementares:
1. Usinas solares próprias. A empresa opera quatro usinas fotovoltaicas em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, que abastecem parte das operações com energia de fonte limpa.
2. Geração distribuída compartilhada. Em 2025, a companhia expandiu a modalidade para 23 novas localidades, por meio de participação em consórcios de geração distribuída, ampliando o acesso das unidades consumidoras à energia renovável sem depender de instalação local.
3. Mercado livre de energia. Passou a atender 21 unidades consumidoras de média tensão com energia incentivada, composta por fontes solar, eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas.
4. Certificados de energia renovável (I-REC). A aquisição de certificados internacionais garante rastreabilidade da origem renovável da energia consumida.
A queda de 8% no consumo não veio apenas da geração: modernização de equipamentos, otimização da infraestrutura e melhorias operacionais também reduziram a demanda energética. Geração e eficiência energética andaram juntas, e é essa combinação que sustenta resultados consistentes.
Por que o desenho multiativo faz sentido
O setor de telecomunicações ajuda a entender a lógica. Uma operadora possui milhares de pontos de consumo espalhados pelo território: antenas, centrais, data centers regionais, lojas e escritórios. Nenhum instrumento único atende bem a essa pulverização:
– As usinas próprias dão escala e previsibilidade de custo para o núcleo do consumo;
– A GD compartilhada alcança unidades menores e dispersas, onde instalar geração local seria inviável;
– O mercado livre atende as unidades de média tensão com contratos competitivos e flexíveis;
– Os certificados completam a rastreabilidade onde os demais instrumentos não chegam.
Essa arquitetura vale muito além das telecoms. Redes de varejo, indústrias com múltiplas plantas, hospitais, instituições de ensino e empresas de logística compartilham o mesmo desafio: perfis de consumo heterogêneos, espalhados em locais com condições distintas de rede, tarifa e espaço físico. Para entender os fundamentos de cada instrumento, vale visitar nosso conteúdo sobre energias renováveis e a página de geração distribuída da Helexia.
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